LSD
O que é o LSD?
O LSD é a substância psicadélica mais conhecida e pesquisada. É o padrão de comparação para todas as outras substâncias psicadélicas. Actua com doses extremamente baixas e é geralmente aborvido em papel ou em líquido.
História
1938: Albert Hofmann, um químico suíço que trabalha para os laboratórios Sandoz Pharmaceutical, em Basel (Suíça), sintetiza o LSD-25 pela primeira vez ao procurar um estimulante sanguíneo. A pesquisa do LSD não é continuada durante 5 anos.
16 Abril, 1943: Albert Hofmann experimenta acidentalmente uma pequena quantidade de LSD pela primeira vez. Esta é a primeira experiência humana com LSD-25 puro. Hofmann relata "um fluxo ininterrupto de imagens fantásticas, formas extraordinárias com jogos de cores intensos e caleidocóspicos". A experiência durou apenas cerca duas horas.
19 Abril, 1943: Albert Hofmann toma intencionalmente LSD (250 ug) pela primeira vez. Este é o primeiro uso intencional de LSD.
1952: Charles Savage publica o primeiro estudo sobre o uso do LSD para o tratamento da depressão.
Entretanto desenvolveram-se outros acontecimentos interessantes. O mais evidente foi o interesse da CIA (agência central de inteligência americana) por esta droga. A organização mostrou-se muito interessada na possibilidade do uso do LSD em interrogação e controlo mental (vê MK-ULTRA), e também na engenharia social (técnicas de ameaça e persuasão) em larga escala. A CIA conduziu pesquisas extensas sobre o LSD, as quais foram na sua maior parte destruídas.
Vários psiquiatras e psicólogos envolvidos nas pesquisas sobre o LSD, de entre os quais se destacaram os professores de psicologia de Harvard Timothy Leary e Richard Alpert (este último mais tarde conhecido como Ram Dass), convenceram-se do potencial do LSD como ferramenta para o desenvolvimento espiritual. As suas pesquisas tornaram-se cada vez mais esotéricas e controversas, alegando ligações entre a experiência com o LSD e o estado de esclarecimento procurado por muitas tradições místicas. Foram dispensados da tradicional comunidade psicológica académica, e deste modo recusados à aquisição científica legal da droga. Timothy Leary foi então contactado (alegadamente sem o seu conhecimento) pela CIA, que lhe forneceu grandes quantidades de LSD-25 purificado que ele e Richard Alpert (Ram Dass) tornaram disponíveis a uma parte muito maior do público. As suas pesquisas perderam a pretenção científica, e ambos evoluiram como gurus espirituais do movimento de contracultura dos anos 60, tornando o LSD a marca caseira dos hippies. A droga foi proibida nos Estados Unidos em 1967, tanto para pesquisa científica terapêutica como para pesquisa individual ou recreação. Muitos outros países se seguiram rapidamente na proibição.
Desde 1967, o uso subcultural recreativo e terapêutico do LSD continuou em muitos países, apoiado pelo mercado negro e pela popular procura da droga. Pesquisas académicas e experimentações legais sobre os efeitos do LSD também foram conduzidas esporadicamente, mas quase nunca em seres humanos.
Em 1979 Albert Hofmann publicou o livro "LSD: Minha Criança Problema", ao qual se seguiram muitos outros livros de outros autores.
Química
A dietilamida do ácido lisérgico (LSD) é uma substância química derivada dos alcalóides do fungo parasita que ataca o centeio, o esporão do centeio (Claviceps purpurea). Como substância química, o LSD é rapidamente eliminado pelo corpo, e mesmo antes da trip terminar já desapareceram todos os vestígios físicos. Isto sugere que o LSD activa uma espécie de catarata neuroquímica em vez de agir directamente para produzir efeito.
O LSD é sensível ao oxigénio, aos raios ultravioletas, e à clorina, especialmente numa solução. Todavia a sua potência pode durar anos se for guardado longe da luz e da humidade num congelador. Na sua forma pura não tem cor nem cheiro, e é amargo. O LSD é geralmente administrado por via oral, normalmente em papel absorvente, num cubo de açúcar, ou em gelatina. Em todas estas preparações o LSD não tem sabor.
Efeitos positivos
Dependendo de quando e quanto a pessoa comeu recentemente, o efeito do LSD demora cerca de 20 a 60 minutos a iniciar (embora por vezes possa demorar até 2 horas). Os principais efeitos do LSD duram cerca de 6 a 8 horas. Para muitas pessoas há um período de tempo adicional (de 2 a 6 horas) onde é difícil adormecer e onde se nota sem dúvida uma diferença na realidade diária, embora esta diferença não seja considerada suficientemente forte para se considerar ainda parte da trip.
Nas fases iniciais da trip o LSD pode causar uma espécie de sensação indefinida, semelhante a antecipação ou ansiedade. Existe frequentemente uma ligeira sensação de energia corporal, um brilho extra nas luzes, ou a sensação de que as coisas estão diferentes do habitual. Quando os efeitos se tornam mais fortes pode ocorrer uma grande variedade de alterações na percepção: estímulos físicos e mentais não específicos, dilatação das pupílas, padrões e visões de olhos abertos ou fechados, alteração dos padrões de pensamento, sensações de esclarecimento, confusão ou paranóia, e alteração rápida de emoções (felicidade, medo, vertigem, ansiedade, raiva, alegria, irritação).
Uma trip de LSD pode variar grandemente de pessoa para pessoa, de uma trip para outra, e até mesmo durante uma só trip. Aspectos muito diferentes emergem, dependendo do chamado “set and setting”, sendo o “set” a disposição mental da pessoa, e o “setting” o ambiente físico e social onde a droga é tomada. É comum que quem tome LSD acredite que atingiu esclarecimentos sobre o modo como funciona a mente, e algumas pessoas sentem mudanças permanentes ou de longa duração na sua perspectiva de vida. Alguns consideram o LSD um sacramento religioso, ou um instrumento poderoso para aceder ao divino. Muitos livros foram escritos comparando a trip de LSD ao estado de esclarecimento da filosofia ocidental.
Efeitos negativos
Uma trip de LSD pode ter efeitos psico-emocionais de longa duração ou mesmo permanentes, neutrais, negativos, e positivos. As experiências com LSD podem variar entre indescritivelmente estáticas a extraordinariamente difíceis; muitas experiências difíceis (ou “más trips”) resultam do pânico que a pessoa sente ao achar que foi permanentemente afastada da realidade ou do seu ego. Se a pessoa está num ambiente hostil ou de qualquer modo perturbante, ou não está mentalmente preparada para as poderosas distorções na percepção e no pensamento que a droga causa, os efeitos têm mais tendência a ser desagradáveis.
Os perigos são puramente psicológicos, não prejudicais ao corpo. O LSD pode despertar psicoses latentes ou exacerbar depressões, originando comportamentos irracionais. Pode também causar comportamentos disparatados ou descuidados, como por exemplo o mau cálculo de distâncias ou a crença de que se consegue voar. A superdose (overdose) física não é perigosa, embora se possa facilmente ingerir mais do que se consegue controlar psicologicamente.
Os efeitos crónicos da droga podem ser positivos e negativos. Os efeitos positivos incluem o contacto espiritual e a exploração do próprio; o efeito negativo mais severo é conhecido como “psicose do LSD”. A psicose do LSD foi ligada a formas de esquizofrenia, e por isso a alguns distúrbios psicológicos – isto parece depender do utilizador, e não da droga.
A única preocupação psicológica séria em relação ao LSD é que este pode causar danos nos cromossomas – isto foi primeiro reportado por Cohen et al., em 1967. Esta opinião repetiu-se poucas vezes, e foi contradita por outros estudos (Loughman et al., 1967; Bender et al., 1968; Pahnke, 1970). Em 1977 Maimon Cohen, um dos investigadores que primeiro reportou isto uma década antes, afirmou que não se podiam tirar conclusões baseadas em provas existentes (Cohen et al., 1977).
O fenómeno dos retornos de LSD (flasbacks) foi exagerado pelos média durante muitos anos. Os retornos estão associados a fortes experiências emocionais e acontecem normalmente a pessoas que nunca usaram drogas psicadélicas. Memórias assustadoras de guerra, violações, ou mesmo de um casamento podem causar retornos após bastante tempo. Por isso, uma experiência emocional com LSD também pode causar retornos. Os físicos referem-se hoje em dia a esta condição como “distúrbio de percepção alucinógena persistente” (HPPD). Apenas acontece a uma percentagem muito pequena de utilizadores.
O LSD tem um potencial de dependência física nulo. Não é fisicamente viciante e não é uma droga que se quer usar de novo imediatamente.
A tolerância aumenta rapidamente com o LSD. A mesma quantidade no dia seguinte dá um efeito notavelmente mais fraco. Isto desaparece após três dias a uma semana. Existe também alguma tolerância-cruzada com cogumelos psilocibinos.
Uso médico
Introduzida por Sandoz como uma droga com vários usos psiquiátricos, o LSD tornou-se rapidamente um agente terapêutico muito prometedor. No entanto, o uso recreativo da droga pela sociedade ocidental nos meados do século passado levou a uma tempestade política que resultou na proibição da substância tanto para uso recreativo como espiritual e medicinal.
O LSD foi investigado como anestésico para dores crónicas causadas por câncro ou qualquer outro trauma sério. Até mesmo em doses baixas (sub-psicadélicas) descobriu-se que o LSD é tão eficaz como os opiáceos tradicionais, e o efeito dura muito mais tempo (por vezes uma semana após os efeitos máximos terem acalmado).
Para além disso, o LSD foi investigado como tratamento para a cefaleia em salvas, uma doença rara e extremamente dolorosa. Embora o fenómeno não tenha sido completamente investigado, relatórios de casos desta doença indicam que o LSD e a psilocibina podem reduzir as dores e também interromper o ciclo de ocorrência das cefaleias. Os tratamentos para a cefaleia em salvas que existem hoje em dia incluem várias ergotaminas, entre outras substâncias químicas, por isso a eficácia do LSD pode não ser surpreendente. Um estudo de reacção para testar a eficácia do LSD e da psilocibina está previsto desde 2005 no hospital McLean, em Massachusetts (Estados Unidos). Ao contrário das tentativas de utilização de LSD ou MDMA na psicoterapia, este estudo envolve efeitos não-psicológicos e frequentemente doses sub-psicadélicas, por isso é plausível que seja a forma mais provável do uso médico do LSD vir a ser respeitado.
Variedades
O LSD apresenta-se em várias formas diferentes. A mais comum é em papel absorvente. Outras formas incluem cápsulas com gel, líquido, e gelatina. Cada forma contém diferentes quantidades e purezas de dietilamida do ácido lisérgico.
A forma mais comum de LSD apresenta-se em papel absorvente dividido em quadradinhos de 3.5 cm, chamados de "quadrados", "trips", “selos”, "ácidos", ou "papéis". Um quadrado normalmente contém 30 a 100 ug (microgramas) de LSD. Uma lamela de LSD preprara-se mergulhando o papel absorvente (geralmente decorado e perfurado) numa diluição de dietilamida do ácido lisérgico. A diluição pode variar grandemente de uma lamela para outra, ou de um preparador para outro. Devido aos diferentes métodos de preparação utilizados, não há maneira de saber a dose exacta de deteminado quadrado sem o experimentar ou sem conhecer o preparador. Os quadrados adjacentes numa lamela geralmente contém níveis de LSD semelhantes. Como um quadrado é tão pequeno, apenas substâncias químicas extremamente potentes como o LSD podem caber nele em níveis activos.
O LSD é solúvel em água e outros solventes, embora o LSD líquido seja normalmente à base de água. O LSD líquido é usado na preparação de lamelas em papel absorvente. Uma gota de LSD líquido potente pode equivaler a 50 doses normais, embora seja normalmente diluído ao ponto em que uma gota equivale aproximadamente a uma dose. Isto varia grandemente de lote para lote, os quais por vezes podem conter uma dose muito fraca e outras vezes uma dose muito forte. O LSD líquido é invulgar. Tem cuidado extremo ao tomares LSD líquido, pois não há maneira de medires a sua potência!
A gelatina de LSD é preparada misturando LSD líquido com gelatina, e formando pequenas tiras fininhas. A vantagem desde método é expor menos quantidade de LSD ao sol e ao ar, os quais destroem a dietilamida do ácido lisérgico. Uma tira de gelatina é normalmente mais potente que um quadrado de LSD.
Uso
Nos últimos 20 anos uma dose média de LSD tem correspondido a 50 até 150 ug (microgramas). A maior parte dos selos de LSD contém aproximadamente esta dose, embora as variações dependam da fonte, e não seja possível ao utilizador normal determinar a potência de um quadrado a não ser por comunicação com outros utilizadores. Nos anos 60 e 70, quando o LSD apareceu sobretudo em forma de comprimido, a dose média era um pouco mais alta que a de hoje em dia, normalmente entre os 200 e os 400 ug. Uma gota de líquido pode conter uma quantidade enorme de LSD, mas normalmente é preparada de modo a conter uma dose média.
Misturas
MDMA: mistura conhecida como “candyflipping”. A maioria dos utilizadores prefere doses baixas de LSD.
Avisos
Não trabalhes com maquinaria pesada. Não conduzas. As pessoas que atravessam problemas emocionais ou psicológicos no seu dia-a-dia devem ter cuidado ao decidirem usar substâncias psicadélicas fortes como o LSD, pois estas podem criar ainda mais problemas.
As pessoas com história de esquizofrenia ou de doenças mentais na família devem ter cuidado extremo, pois o LSD pode despertar problemas psicológicos e mentais latentes.
O LSD pode causar contracções uterinas e as mulheres grávidas devem evitá-lo.
Os perigos são puramente psicológicos, não prejudiciais ao corpo. O LSD pode despertar psicoses latentes ou exacerbar depressões, levando a comportamentos irracionais. Pode também causar comportamentos tolos ou imprudentes, tais como o mau cálculo de distâncias ou a crença de que se pode voar. A superdose (overdose) física não é perigosa, embora se possa facilmente ingerir mais do que se poderá aguentar psicologicamente.
As doses fatais (tóxicas) de LSD são teoricamente milhares de vezes maiores que uma dose normal, tornando o LSD (no sentido tóxico) uma das drogas mais seguras que se conhecem.
Ligações / Mais informação
My problem child por Albert Hofmann (versão online, em inglês)
The psychedelic experience por Timothy Leary, Ralph Metzner, e Richard Alpert (versão oline, em inglês)
Thimothy Leary
Albert Hofmann Foundation
A critical review of Theories and Research Concerning Lysergic Acid Diethylamide (LSD) and Mental Health
MAPS current LSD research (roda para baixo)
Referências
Este artigo baseia-se nas seguintes páginas:
Erowids LSD Vault
Erowids LSD FAQ
The Psychological Effects of LSD from Erowid
Timeline from Erowid
Wikipedia on LSD
The Good drugs guide on LSD






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Sérgio - 2009-09-08 05:25:58