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MDMA (XTC)

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O que é o MDMA?

O MDMA, ou “ecstasy”, é uma anfetamina “psicadélica” que ganhou popularidade nos últimos 20 anos devido à sua capacidade de produzir fortes sensações de conforto, empatia, e ligação com as outras pessoas. Normalmente apresenta-se em forma de comprimido, embora por vezes seja vendido em cápsulas ou em pó. É frequentemente tomado oralmente e raramente inalado. O uso do MDMA está intimamente ligado ao ambiente das raves alternativas (e das discotecas ) do mundo inteiro, mas também tem sido bastante usado por terapeutas como auxiliar da psicoterapia.

História

O MDMA foi inicialmente sintetizado em 1912. Foi patenteado na Alemanha pela companhia Merck em 1914. Nessa altura não estava sujeito a pesquisas para o uso humano. A Merck “tropeçou” no MDMA ao tentar sintetizar Hydrastinin, um medicamento vasoconstritor e estíptico. O MDMA surgiu como produto secundário não planeado desta síntese.

Nos anos 50 foi brevemente estudado pelo governo dos Estados Unidos como parte das investigações químicas da CIA e do exército, numa pesquisa comissionada em 1953/54 sobre o uso de MDA, MDMA e outras substâncias como “soro da verdade”. Estas provaram ser impróprias para este propósito. Os resultados desta pesquisa não foram publicados até 1973. O primeiro uso recreativo reportado deu-se nos anos 60.

Em meados da década de 70, foi redescoberto pela comunidade de terapia psicadélica, e começou a ser utilizado como auxiliar da psicoterapia por psiquiatras e terapeutas familiares com o campo da terapia psicadélica. Em princípios dos anos 80, a droga começou a ser usada sem supervisão médica, com o nome de “ecstasy”. A sua popularidade crescente levou à sua proibição nos Estados Unidos em 1985 (e nos anos seguintes na maioria dos países), e a sua popularidade tem continuado a aumentar desde então.

Química

3,4-metilenodioxi-N-metanfetamina (MDMA) é um químico sintético que pode derivar de um óleo essencial da árvore de sassafrás (Ocotea odorifera), chamado safrol. O safrol, o isosafrol, o MDP-2-P, o piperonal e o beta-nitro-isosafrol são os percursores mais comuns do MDMA.

Efeitos positivos

Uma sensação de que tudo está certo e bem com o mundo. As pessoas sob o efeito do MDMA descrevem muitas vezes sentirem-se “em paz” ou uma sensação geral de felicidade. Para além disso, as coisas comuns de todos os dias parecem mais interessantes ou belas a um ponto extremo.

A empatogenia é uma sensação de proximidade emocional com os outros (e com o próprio), juntamente com a destruição das barreiras de comunicação pessoais. As pessoas sob o efeito do MDMA relatam sentirem-se muito mais à vontade com os outros, e que quaisquer problemas que possam ter sobre “abertura emocional” em relação aos outros podem ser reduzidos ou mesmo eliminados. Este efeito é parcialmente responsável pelo MDMA ser conhecido como a “droga do abraço” – o aumento da proximidade emocional torna o contacto pessoal bastante recompensante.

O MDMA pode aumentar significativamente (por vezes deturpar) os sentidos – tacto, propriocepção, visão, paladar, olfacto. As pessoas sob o efeito do MDMA podem por vezes passar as mãos repetidamente por objectos com texturas diferentes, ou saborearem e cheirarem diferentes alimentos e bebidas. Este efeito contribui também para o efeito da “droga do abraço”, devido à sensação nova ao passar as mãos na pele de alguém ou vice-versa.

Para além disso, outros efeitos descritos do MDMA são: aumento da energia (estímulo), capacidade de perdoar, aumento da percepção e apreciação de música, dissolução de medos neuróticos.

Efeitos negativos

Os efeitos físicos das doses normais de MDMA são subtis e variáveis: alguns utilizadores relatam sentirem a boca seca, pressão nos maxilares e ranger dos dentes, nistagmia (tremores nos olhos), suor ou náuseas. Outros relatam sensações de relaxamento físico profundo. Em doses mais altas (overdoses), os efeitos físicos do MDMA são semelhantes aos das anfetaminas: batidas cardíacas aceleradas, suores, tonturas, nervosismo, etc.

Muitos utilizadores relatam sentirem-se extremamente exaustos no dia seguinte ao uso do MDMA. Este efeito “do dia seguinte” significa para muitos utilizadores de MDMA que precisam de planear 2 dias para a experiência: um para o efeito máximo e outro para recuperar. Muitos utilizadores também experimentam algum nível de depressão pós-MDMA, frequentemente começando no segundo dia após a experiência e durando até 5 dias. Uma pequena percentagem dos utilizadores relata sintomas depressivos durante semanas após o uso. Alternativamente, alguns utilizadores relatam sentirem-se melhor que o normal durante cerca de uma semana após usarem o MDMA. Os efeitos negativos após o uso do MDMA parecem ser piores com uma maior frequência de uso ou doses mais altas.

Para além disso, complicações cardíacas, hipertermia/hiperpirexia (aquecimento excessivo), hepatotoxicidade, e psicoses ocorreram incidentalmente.

As complicações cardíacas ocorreram todas em pessoas com problemas cardíacos já existentes, embora por vezes ainda não identificados.
A hipertermina, com todos os tipos de complicações potencialmente letais, é conhecida há muito como uma rara complicação da overdose de anfetamina, provavelmente baseada numa sensibilidade “idiossincrática” individual.
A hepatotoxicidade é um fenómeno recente em relação às substâncias tipo anfetaminas, mas as psicoses são bem conhecidas como complicações geralmente temporárias nas pessoas com predisposição às mesmas.

Deve ser óbvio que, embora estas complicações possam ser dramáticas a nível individual, são bastante raras quando relacionadas com a escala estimada do uso de XTC.

Uso médico

Os terapeutas que aprovam o uso do MDMA afirmam que num ambiente terapêutico este aumenta a capacidade comunicativa e elimina a ansiedade e as defesas do paciente. Inicialmente, a comunidade terapêutica tentou encobrir o conhecimento desta droga.
Apesar dos protestos de alguns membros da comunidade psicadélica, o MDMA foi classificado como substância controlada na tabela I (classe A) das drogas nos Estados Unidos em 1985, embora isto em nada tenha evitado a sua crescente popularidade desde então no mercado negro.

Pesquisadores acreditam que o MDMA pode aliviar a dor e o stresse emocional de pacientes com cancro terminal, e acelerar a recuperação de soldados com transtorno de stresse pós-traumático. “Entre 1977 e 1985, foram administradadas cerca de meio milhão de doses para o tratamento de depressão, ansiedade, trauma relacionado com violação, e mesmo esquizofrenia”, afirma Richard Doblin, um estudante doutoral da universidade de Harvard, que lidera a associação multidisciplinar para a pesquisa psicadélica. Ele acusa a “política acima da ciência” de asfixiar o reconhecimento e os fundos necessários à pesquisa de MDMA após a proibição.

Para além disso, ele afirma que ao ter dado o sinal para a pesquisa oficial do MDMA apenas recentemente, a administração americana das comidas e drogas (FDA) “falhou em reconhecer os resultados bem sucedidos do passado”. Por isso a droga deve ser submetida a “testes prolongados e caros, de modo a poder estabelecer-se aquilo que já sabemos – que o MDMA é seguro para o uso clínico”.
Estudos para estabelecerem a segurança humana básica estão a ser desenvolvidos na universidade da Califórnia, em Los Angeles, pelo médico psiquiatra Charles Grob. O efeito da droga na química do cérebro também está a ser examinado. Desde os princípios da década de 90 que os estudos têm focado na capacidade do MDMA de aliviar a ansiedade dos pacientes terminais. Grob salienta que o objectivo do tratamento não é de modo nenhum a cura física da doença. A focagem é no alívio das sensações de depressão e de ansiedade quando os pacientes se aproximam da morte, afirma.
O MDMA provou também ser útil no tratamento de pessoas que sofrem de transtorno de stresse pós-traumático. A maior parte das pesquisas neste sentido está a ser feita na Suíça, em Espanha e em Israel. Os Estados Unidos, entretanto, obrigam a sua ciência a trabalhar no armamento contra as drogas.

Impurezas

Devido à sua popularidade em geral, especialmente nas pistas de dança, a procura do MDMA normalmente excede a oferta. Isto dá lugar a que indivíduos sem escrúpulos vendam quase qualquer substância como se fosse “ecstasy”. Apesar do “ecstasy” ser o nome popular do MDMA, a definição prática de “ecstasy” é na verdade qualquer comprimido vendido no mercado negro em representação do MDMA. As pastilhas de “ecstasy” são notoriamente suspeitas em relação ao seu conteúdo, mais ainda do que outras drogas vendidas no mercado negro, e contêm frequentemente cafeína, efedrina, anfetaminas, MDA, MDE, DXM, ou – raramente – DOB, não contendo necessariamente MDMA ou qualquer outra substância psicoactiva. Este problema levou ao desenvolvimento de simples estojos de testes de MDMA, que podem ajudar a dar ao utilizador uma ideia geral do conteúdo de um comprimido. Em alguns países podes testar os teus comprimidos nas festas ou em agências oficiais sem quaisquer consequências.

Uso

Uma dose recreativa deve conter entre 1 a 2 mg de MDMA por cada quilo que a pessoa pese. Isto significa que se alguém pesar 60 quilos a dose deve ser entre 60 a 120 mg de MDMA. As boas pastilhas contêm, segundo o website Erowid, 80 - 120 mg de MDMA.
Uma grande percentagem de utilizadores acha que, ao contrário de muitas substâncias psicoactivas tais como o LSD ou os cogumelos mágicos, há um “ponto doce” na dosagem do MDMA, e que uma vez atingido esse ponto as doses maiores não são particularmente desejáveis, visto que não aumentam os efeitos nem a duração dos mesmos.

Os efeitos duram 4 a 6 horas, dependendo da quantidade da droga tomada, da sua potência, pureza, do teu peso e da tua condição física e mental.
O MDMA eleva a disposição e produz sensações de empatia, abertura mental e bem-estar. Não produz violência ou dependência física.

Misturas

Com LSD: mistura conhecida como “candyflipping”. O MDMA também aumenta as hipóteses de uma má trip. A maioria dos utilizadores prefere tomar doses muito baixas de LSD e ficar em casa.

Com anfetaminas (speed): para manter a energia toda a noite e prolongar a experiência a custos relativamente baixos. Pode facilmente causar sobreexcitação, sensação de rapidez, menos controlo.

Com álcool: baixa o efeito do “ecstacy”. O álcool e as anfetaminas também afectam o fígado e os rins, causando desidratação, por isso a mistura de ambos com MDMA aumenta o perigo de sobreaquecimento e pode resultar em ressacas piores.

Com 2CB: por vezes tomado quase no final da trip. Como se sobrepõe ao efeito do MDMA, a experiência transforma-se subtilmente numa percepção mais intelectual, com a qual alguns utilizadores consideram mais fácil assimilarem os conhecimentos obtidos. O 2CB tem ainda a reputação de dar o componente erótico normalmente suprimido pelo MDMA.

Avisos

Em doses altas, o MDMA pode interferir com a capacidade do corpo de regular a temperatura. Isto pode causar um aumento agudo da temperatura corporal (hipertermia), resultando na paragem do sistema cardiovascular, do fígado e dos rins. Isto é potencialmente fatal em ambientes muito quentes, com movimentos vigorosos e falta de fluídos de substituição adequados.

Como o MDMA pode interferir com o seu próprio metabolismo (a sua destruição no corpo), podem atingir-se níveis potencialmente perigosos ao repetir-se o uso da droga em intervalos curtos.

Os utilizadores de MDMA correm muitos dos mesmos riscos que os utilizadores de outras substâncias estimulantes, como a cocaína e as anfetaminas. Estes incluem o aumento das batidas cardíacas e da tensão arterial, com riscos maiores para as pessoas com problemas circulatórios ou cardíacos, ou outros sintomas tais como tensão muscular, ranger involuntário dos dentes, náuseas, visão turva, desmaios, e arrepios ou suores. As pessoas com doenças cardiovasculares ou cardíacas não devem tomar MDMA. Também as pessoas que sofreram de deficiências do fígado, hepatite A ou B, devem evitar o uso do MDMA; uma dose apenas pode ser fatal.

Evita tomar “ecstasy” se tomas antidepressivos, e não mistures com inibidores da MAO.

Ligações/mais informação

Ecstasy.org
MDMA.net
E is for ecstacy by Nicholas Saunders (online version)
A rough guide to ecstacy - Reproduced from The Book of E by Push and Mireille Silcott
MDMA research around the world (MAPS)
MAPS' MDMA Reseach Information
A1b2c3.com on ecstacy
E de MDMA (portugues)
This is your brain on ecstacy

Referências

Este artigo baseia-se nas seguintes páginas:

Erowids MDMA FAQ
Unitydrugs on XTC
A MAPS history of ecstacy - a1b2c3.com
What the evidence shows - a1b2c3.com
Psychology Today on MDMA (1994)
NIDA Infofacts: MDMA
Uit je bol - Chapter 5: Ecstacy (in Dutch)
Urban75 on XTC

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